terça-feira, 22 de novembro de 2016
Tranformando-te
Postado por Milena Kury às 13:56Marcadores: devaneios e etc, Poemas, Prosa
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Olhares
Postado por Milena Kury às 17:57Marcadores: Prosa
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Coincidências
Postado por Milena Kury às 18:47“Me deixei levar pelo tempo, caminhei sem olhar por onde andava e por coincidência esbarrei em você. Continuei a caminhar, mas dessa vez te levei comigo.” Anônimo.
Entrou apressadamente. Não corria, mas mesmo fazendo um esforço para não respirar pela boca, o som de sua respiração pesada a acompanhava. Ao passar pela porta, ficou grata pelo ar-condicionado que a recebeu. Sua amiga Emília a esperava impacientemente. Sua aula havia terminado há mais de meia hora, e esperava somente ela para irem comprar os ingressos de um show. A avistou, a alguns metros afastada, batendo o pé nervosamente no chão. Fixou-a e foi ao seu encontro, não viu quando aquela forma se materializou diante de si.
-Desculpe, Falou automaticamente.
-Não, eu que peço desculpas, não olhava por onde andava. Respondeu o rapaz, já voltando a apressar o passo.
Seus olhos desvencilharam-se. Emília se aproximou.
-Vamos?
-Sim sim, desculpe.
Foi um dia cansativo, não tinha dormido à noite por causa do show que vira, e passou o dia vagando. Biblioteca, sala, cafeteria, sala, rua. Andava de cabeça baixa, com um livro nos braços, pendendo perigosamente. Sentou-se num banco de pedra que ficava encostado no muro de alguma construção qualquer. Estava nos arredores da faculdade, árvores a brindavam com sombra e ar fresco, sentiu vontade de ler. Lia algum romance, um dos muitos que a prendiam em suas tardes tediosas. Saboreava as últimas frases de um capítulo quando sobressaltou-se. Seu coração estava acelerado, posição de alerta. O que foi isso? Alguém jogara alguma coisa do outro lado do muro, que o acertou exatamente no ponto em que ela se encontrava. Pelo impacto, imaginou que fosse uma bola. Fechou o livro, levantou-se.
Já passava das três quando chegou na casa de uma colega, ela e Emília já a esperavam para fazer um trabalho. Ainda tinha seus fones no ouvido quando foi convidada para sentar. Assim que os tirou, teve a impressão de continuar ouvindo a música. Mas o que? Estava ficando louca ou ligeiramente surda, fazendo com que aquela melodia ainda ecoasse em labirínticos caminhos? Deve ter franzido o cenho enquanto se concentrava nos acordes que ainda tocavam, pois Emília reparou.
-É o vizinho. Ele toca guitarra, deve estar aprendendo essa música, porque a toca desde que eu estou aqui. Não é? Olhou de soslaio pra sua colega.
-Sim, é o dia inteiro...
-Ah... pensei que não tivesse desligado meu ipod. Tentou justificar sua surpresa.
Começaram o trabalho.
Deu o sinal do ônibus, equilibrava um caderno com uma mão, enquanto a outra se ocupava de sustentar seu peso enquanto este era jogado para frente. Freios. Viu, enquanto se aproximava de sua parada, um garoto correndo. Ele fez um sinal em sua direção, ao qual o motorista respondeu abrindo a porta de trás. Já saltava o último degrau quando olhou para sua direita e viu aquela forma subindo em um pulo. Pensou já tê-la visto antes... Parada, ali na calçada, olhava para o ônibus que acabara de a deixar pra trás. Janelas corriam e nelas procurava alguma coisa ou alguém. Desistiu, devia ter pensado que viu algum conhecido.
Estava cansada... seus olhos brilhavam, vermelhos. Além do final do semestre que arrancava-lhe suas noites, sentia uma exaustão que não era física, mas espiritual. Sentia-se velha, com já muitos anos vividos, e uma sabedoria que não os acompanhava. Subia agora as escadas do metrô. Corredor, escada, direita. Foi com esses pensamentos em mente que esbarrou naquele (des)conhecido. Pareceu perde-los por instantes, visto que agora seu cérebro se ocupava de outras coisas. Onde? Quando?
-Desculpe, Ele falou automaticamente.
-Não, eu que peço desculpas, não olhava por onde andava. Respondeu-lhe, ainda o encarando.
Seus olhares não se desvencilharam dessa vez. Ficaram ali parados, nessa eternidade que um segundo pode conter. Tinha visto uma vez em um filme duas pessoas anônimas esbarrarem assim. Começaram a conversar, para saírem do modo pré-programado em que viviam. Não queriam mais ser "formigas" na vida dos outros, que, ao bater as antenas, desviam a cabeça e prosseguem com seus caminhos.
-Já te vi antes, não? Seus pensamentos são cortados.
-Creio que sim...
Seus olhos sorriram, fitando-se.
Um. O apressado, o jogador de bola, o guitarrista, o passageiro de ônibus, o cara do metrô. Dois.
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sábado, 2 de junho de 2012
Metade
Postado por Milena Kury às 17:43
"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...
Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que o homem que eu amo seja pra sempre amado
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A uma mulher inundada de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também." Oswaldo Montenegro
Achei esse poema depois de ter escrito o texto abaixo, enquanto procurava imagens para ilustrar o post... Como coube perfeitamente com o que escrevi, inclusive tem o mesmo título, resolvi botar ai em cima.
Ela queria poder abrir seu peito, e tirar aquela angústia que a corroia. Angústia... talvez a palavra fosse alguma outra, derivada de “dor”. Ela queria poder abrir seu peito, arrancar-lhe o coração e guardá-lo numa caixinha. Talvez assim ele ficasse bem... Ela queria ao menos ter mudado algo, mas sentia que sua nota era sempre a mesma. Estavam regredindo, talvez, em marcha ré menor. Ela queria, ela queria, ela queria... talvez esse fosse o problema... ela queria tantas coisas, invernos agasalhados e com chocolate quente, outonos com estórias lidas num banco qualquer de parque, verões com ondas de espuma batendo nos seus quatro pés, tantas primaveras para ver o florescer das Nenúfares... Depois de tantos meses, as notas desfalesciam como pétalas brancas, murchas, ao chão. Ouvia agora a chuva. Ah! E como ela enchia seu âmago! Ia, rastejando, pingando, formando cavernosos vazios, e os arranjos outrora tocados ecoavam fracos, ficando presos em um ou outro cantos de sua tortuosa mente. Refletia agora (porém não com a mesma luz de antigamente) que nunca tentara gritar em uma gruta. Para onde iam as palavras? Ecoavam até se perderem no vazio, ou permaneciam para sempre trancafiadas em um labirinto de sombras? Não sabia a resposta, mas, a julgar pela persistência daquelas maravilhosas sinfonias em seu interior, acreditava que se perdiam dentre fileiras de negras estalactites e estalagmites, nunca abandonando por completo a gruta.
Ela queria poder pedir desculpas, acreditando que ficariam bem, que não o machucaria de novo. Ela queria poder treinar suas palavras, deixando apenas aquelas mais belas saírem. Ah! Como gostaria de trancar as outras... jogá-las sem piedade em um calabouço, esperando apodrecerem. Mas não o fazia. Por impossibilidade de sua própria personalidade. Criara suas palavras livres, e agora elas lhe fugiam. Retornavam, é verdade, mas sempre carregando um quê meio amargo ou meio ferroso, gosto de sangue. O que fazer? Como não conseguia se impedir de metralhar frases, talvez a solução fosse mover o alvo...
Ela queria saber o que Ele queria. Tinha medo de pensar nisso... tantas vezes já o perguntara, e tantas vezes já sofreu com seu silêncio. A cada sentença não pronunciada, uma pétala caía. Sentia-se, agora, um pedúnculo vazio, desnudado por uma tempestade em plena primavera. Não era a mesma, disso tinha consciência. Cresceu tanto... desde uma semente sem cuidados até desabrochar em uma flor branca. Agora jazia ali, uma flor sem pétalas, uma metade.
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domingo, 19 de fevereiro de 2012
No parque
Postado por Milena Kury às 12:07
Uma autora famosa, com certeza. Sorria, enquanto olhava sua obra. Não lembrava ao certo como aquela ideia capturou sua mente... quando viu já estava escrevendo. E que sensação maravilhosa... tão ímpar! Nunca sentira algo assim antes. Claro, escrever era seu hobby, e já tinha feito isso dezenas de vezes, sempre que uma mínima inspiração surgia. Lembrava-se uma vez de estar em um café dentro de uma grande livraria, quando aquele ambiente que misturava o silêncio com o cheiro do café com leite a deu uma ideia. Tímida, no início, mas acabou se desenvolvendo em um grande conto -na sua sempre humilde opinião-. Não tinha onde escrever, estava munida apenas de uma caneta preta, dentre tantas outras coisas inúteis da bolsa. Nenhum papel. Observou, a sua frente, um porta-guardanapos de madeira trançada. A ideia reclamou, mas não teve jeito: acabou moldando-a nos guardanapos mesmo. Só quando chegou em casa é que pôde, finalmente, dar um destino mais nobre à amiga: fez questão de digitá-la no seu laptop, enquanto comia uns chocolates.
Nessa tarde não seria diferente. Mais uma vez viu-se obrigada a improvisar. Primeiro cogitou se a ideia realmente valeria a pena para dar-se a tanto trabalho, e foi nesse momento que lhe ocorreu outro pensamento: Meu Deus! Essa era a ideia! Sim sim... o que primeiro pensara foi apenas a porta para que algo novo pudesse entrar, para que cogitasse o segundo pensamento... ah! Gostou desse. Ria-se sozinha, saboreando-o. Teve o cuidado de pensar como o botaria em prática, cuidando dos pormenores. Teriam que ser novas, sim, novas e macias. Brancas, ou em tons creme, pensou. Sua caneta preta servia para o trabalho, pois era de nanquim, então garantia uma escrita suave. Finalmente, pôs-se ao trabalho.
Não levara muito tempo, talvez a parte mais demorada tenha sido o desenvolvimento do plano. Mas a melhor parte... ah! Sobre esta não resta dúvidas: a sensação suave de escrever, a delicadeza que se impusera, o cuidado com que desenhou as letras, o perfume que estava no ar. Como seria maravilhoso se vendessem grandes folhas para se escrever assim! Essa aspiração era boba, quase infantil, mas não consegui deixar de desejá-la. Imaginem só! Grandes maços com folhas assim... suaves, macias. O ato da escrita seria algo angelical...
Uma autora famosa, com certeza seria um dia. Sorria enquanto olhava sua obra. Talvez umas doze, não mais que isso. Estavam dispostas no banco do parque. Ela mesma estava sentada no chão, com algumas flores murchas em volta das suas pernas cruzadas. Tivera o cuidado de selecionar as doze flores mais novas que achou, procurando só entre as caídas. Tivera, então, a sensação única de escrever em pétalas de flores.
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terça-feira, 1 de novembro de 2011
Outra Janela aberta
Postado por Milena Kury às 20:29Bom, esse miniconto eu fiz para um concurso de contos com até 300 caracteres com o tema "Sustentabilidade". Estava certa de que ia ganhar, pq os concorrentes não eram essas coisas, mas depois de ter escrito o conto, vi que o concurso era restrito a certas cidades... u_u *epic fail*
Hoje tava olhando o perfil do face que premiou o ganhador, e vi que o conto ganhador é fraquíssimo XD
é realmente uma pena eu não ter podido participar... [/humildade] ganharia um tablet ;b
De qualquer forma, pelo menos fiz um conto novo. Mesmo não gostando de escrever sobre um tema pré definido e com a limitação dos caracteres, até que gostei do meu conto.
Bom, o guardo aqui, nesse blog que é quase uma caixinha de lembranças.
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terça-feira, 10 de maio de 2011
Morte em terceira pessoa
Postado por Milena Kury às 16:53Segurava sua mão. Em toda a simplicidade que esse ato encena, mas com um sentimento tão profundo que a fazia prender o ar. A mão dele estava tão quente mas ao mesmo tempo tão inerte, numa rigidez cadavérica que conseguia apagar qualquer sorriso de sua face, pondo um quê de desespero em seus olhos já úmidos. As mãos dela se fechavam em concha em volta de sua pele macia. Ah se ele soubesse o quanto tudo aquilo significava para ela!
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sexta-feira, 15 de abril de 2011
Geometria
Postado por Milena Kury às 09:44Geometria
Sinto-me sólida hoje. Não foi pelo que não digeri, ou talvez sim. De alguma forma estou mais complexa; os planos que me cercam se alteram, mas ultimamente tenho visto muitas figuras esféricas. Talvez tenha ficado um pouco assustada, as planas eram mais fáceis. Cansada... deve ser só isso. Sempre gostei de decifrá-las; as figuras esféricas podem ser tão divertidas! Você as levanta, joga pro alto, segura de novo, rola. E elas continuam da mesma forma: passivamente te encarando, inertes em pensamentos obscuros. Brincar com elas é a melhor parte. São imprevisíveis e podem não voltar mais, uma vez lançadas. Saem rolando por ai, sem um destino certo, pelo menos ao seu ver, e acabam topando em encontros inusitados. Planos em várias dimensões me cercam agora. Sinto que estou inchando, com pensamentos a transbordar. Sempre achei que as coisas ficariam mais claras quando chegasse a esse ponto. Enganei-me. O breu é soberano. Agarro, desesperadamente, as frestras de luz que saem das portas semi-abertas. Ao meu lado estão as esféricas, do outro, não sei. As planas, estas nem estão aqui. Estas, nesse plano, nem são.
Cada frestra significa mais do que poderia supor... gosto tanto de colecioná-las! Fazer uma coleção assim, tão ímpar, leva tempo. Tempo e muito esforço, mas acredito ser recompensada. Minha parte favorita é descobrí-las. Escondidas atrás de uma ou outra sombra. Vou esgueirando-me, me aproximo. Espero um pouco e... BAM! Pulo ao seu encontro e as pego nas mãos. Vou guardando tudo, sentindo cada vez mais o inchaço se apoderar de mim. Cultivá-las é mais demorado, mas após lapidadas, brilham tão deslumbrantemente que você pode compartilhá-las, mostrando, incluisive às planas, todo seu esplendor. O que não me avisaram, porém, é que elas não morrem. Eventualmente são substituidas, mas não morrem. Já fazendo parte do meu ser, é impossível desfazer-me delas. E quando tudo o que você quer é um pouco de sombra, pra descansar, elas estão lá, a brilhar e brilhar. Quando você percebe isso, é tarde de mais. Você é uma esférica. Eu sou uma esférica agora.
Ser esférica dá trabalho e estou fatigada. Queria ficar em um só plano, um simples mesmo, linear. Sinto-me cada vez mais presa num labirinto de senóides e essas curvas estão me enjoando. Cheguei ao topo de uma delas e percebi que tenho medo de altura; Descer parece o caminho mais óbvio a seguir. Mas não poderei simplesmente pular para outro plano? Aquele linear que tanto quero... por favor, por favor, simplifique esses graus! Quero voltar à escala um! Que fiquem as curvas com suas pérfidas esféricas.
Não me entenda mal... não é que não se possa confiar numa esférica... uma vez em seu âmago são criados laços de difícil rompimento (pelo menos é o que se espera, com uma esférica nunca podemos ter certeza); mas elas podem ser tão fatigantes! Podem rolar e rolar e não sair do lugar. Ainda assim as admiro... as planas, nem isso fazem. Ficam paradas, esperando que alguma força superior as mova, as tire de sua vidinha patética. Ou não. Ou não esperam nada, simplesmente vivem.
Talvez tal disposição para vida seja realmente invejável... apesar de suas aspirações resumirem-se ao próximo sorriso. Talvez, só talvez, as esféricas sonhem com um dia se tornarem planas novamente, dai todo seu dilema existencial. Apenas por essa noite, desejo ser plana... mas nunca mais voltaremos, pois uma vez infladas não há mais volta. Resumir-me-ei, enfim, a minha geométrica insignificância.
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Anjo de prata
Postado por Milena Kury às 14:21Marcadores: Prosa
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Conto de Fadas
Postado por Milena Kury às 11:28me beijar as faces, um último suspiro darei
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sábado, 4 de setembro de 2010
Uma rosa rara
Postado por Milena Kury às 13:29Marcadores: Prosa
sábado, 5 de junho de 2010
Fios perdidos
Postado por Milena Kury às 17:02Marcadores: Prosa














