Bem-Vindo
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terça-feira, 8 de março de 2011

O Homem Duplicado




"(...)desforra, desforço, despique, desagravo, desafronta, represália, rancor, vindicta, senão mesmo a pior de todas, ódio. Meu Deus, que exagero, o que aí vai, dirão as pessoas felizes que nunca se viram diante de uma cópia de si mesmas (...)."


   Bom, queria ter entregue essa resenha ainda em fevereiro *e ela já estava pronta* mas fiquei um tempo sem vida  internet. Essa foi feita em parte durante a aula de cálculo (aluna dedicada) XD, mas vamos lá o/
   Sempre tive vontade de ler alguma coisa do Saramago; após sua morte, que todo mundo falava dele, resolvi que era hora de ler. Escolhi um dos seus livros na estante da sala: "O homem duplicado". Demorei um bocado pra ler, pois parei por uns meses para me dedicar aos estudos (desculpa esdrúxula), mas quando retomei a leitura não larguei mais o livro! É MUITO bom! Não é pra menos que tinha grandes espectativas do Saramago...


"(...) nenhum homem pode ser exactamente igual ao outro em um mundo em que se fabricam máquinas de acordar.(...)"   


  Indo agora à resenha... "O homem duplicado" conta a história de Tertuliano Máximo Afonso, um pacato professor de história do ensino médio. Sua vida aparentemente normal vira de pernas pro ar quando descobre, por meio de um filme recomendado por seu amigo professor de matemática, que existe, em sua cidade, um homem fisicamente (será apenas fisicamente?) idêntico a ele. Torna-se sua obcessão descobrir sua identidade e como vive esse seu duplicado. Em seu mundo fechado, Tertuliano prefere não comentar o incidente com ninguém, nem mesmo com sua namorada, Maria da Paz, vivendo uma grande crise sozinho."(...) e foi para casa, lá onde, paciente e segura de seu poder, o estava esperando a solidão.(...)". Numa atmosfera cercada de mistério, revoltas e conflitos existenciais, Tertuliano segue as pistas até o jovem ator secundário Daniel Santa Clara. Tertuliano para. É hora de pensar no próximo movimento; agora com seu nome, como o encontrará? o que falará para ouvidos iguais aos seus? Com jogadas calculadas, Tertuliano dá um show de como jogar friamente com assuntos sérios. 
  Depois do encontro fatídico, Daniel tem sua paz roubada, sendo esta entregue a Tertuliano, e deste recebe todas as questões existenciais. Quem é a duplicata de quem? Se são iguais, seriam iguais também no momento de suas mortes? Daniel precisará se esforçar para estar a altura do desafiante Tertuliano. Como em uma partida de xadrez, os dois homens (ou um só?) enfrentam-se em um complexo jogo de barbas postiças, casas isoladas e espreitadas. Um terceiro participante tenta, tímido, entrar na partida: o Senso Comum; mas este é sempre deixado de lado, tendo, por vezes, consequências desastrosas. Recheado de filosofias de bolso, uso esse termo não por serem mesquinhas, mas por fluirem nas mais diversas situações, "O homem duplicado" é também um romance para abrir a mente e refletir sobre relações inter e intrapessoais. Saramago tem um quê machadiano, dialogando constantemente com o leitor, chegando a dar escusas por certas situações, e o convidando a pensar também.
  Agora vamos a alguns fatos interessantes que achei ao longo do livro... o nome Tertuliano Máximo Afonso é sempre repetido por completo, como se tentasse em vão se afirmar durante o romance; "Tertuliano" lembra "tertúlia" que é uma pequena reunião de amigos (nesse caso de sósias...), Tertuliano é professor de história, apesar disso encontra-se constantemente escrevendo a sua (ele até propõe um interessante método de ensino, ensinando a história da frente para trás, o que se mostra intrigante no final do livro, com uma lição valiosa aprendida... "colocando no primeiro de todos os instantes o último ponto final"), Daniel Santa Clara é um ator, logo sua profissão requer dele ser alguém que ele não é (no final do livro isso soa ainda mais irônico XD), Maria da Paz está sempre como a balança da razão, tentando "conciliar" a situação (mais uma vez as implicações desse fato serão sentidas mais pra frente no romance...), dentre outras coisinhas que deixarei vocês descobrirem =D
Enfim! Recomendadíssimo!


"(...)Ficaram assim, quase abraçados, quase juntos, à beira do tempo."

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A garota dos pés de vidro


O livro é a estréia do jovem autor britânico Ali Shaw (29), pelo qual recebeu o prêmio The Desmond Elliot. Shaw cria um universo monocromático e gélido, o arquipélogo de Saint Hauda's Land. Nesse mundo branco, casos curiosos mexem com a imaginação do leitor. Somos apresentados a um delicado gado com asas de borboleta, que vive em um pântano com um curioso homenzinho; a um ser que pode
transformar todas as cores em branco apenas com um olhar, a uma doença que transforma seus portadores em vidro. O cenário é o que me chamou mais a atenção: descrito pelas lentes do fotógrado Midas Crook, cada gota de luz é tão significativa quanto as sombras de sua ausência. Precipícios, praias, campos, pântanos; tudo que tem a chance de passar por tais lentes torna-se indescritivelmente mágico e belo.
A história conta a lenta e dolorosa transformação da menina Ida Maclaird em vidro e sua busca desesperada por uma cura. Ela é levada ao arquipélogo de St. Hauda's, onde uma vez tinha ouvido estórias sobre cadáveres de vidro puro. No caminho conhece o jovem Midas Crook, um fotógrafo local. Um romance (?) inesperado surge entre os dois e Midas e Ida percorrerão todas as planícies brancas atrás da cura para a estranha doença. Paralelamente, somos apresentados ao passado de algumas personagens secundárias, uma profunda teia de conflitos psicológicos é tecida, e podemos ver toda a dor e frustração de vidas incompletas, estraçalhadas por decisões erradas. Midas luta contra as memórias de um passado sombrio, e a única pessoa que pode ajudá-lo é Ida. Ironicamente, a única pessoa que pode ajudar Ida em sua busca por um milagre é Midas.

Agora que foram devidamente apresentados ao livro, vamos falar um pouco do que eu achei. Quando o vi a venda na livraria, fui logo atraida pela capa, mas não se pode julgar um livro pela capa *com o perdão do trocadilho*, e fui ler as orelhas do livro. Gostei. Comprei. Li. Maravilhoso! XD achei que para um primeiro romance de um autor está muito bem escrito, com personagens complexas e bem estruturadas. Claro que histórias de sofridas transformações não são bem inéditas, tendo o próprio Ali Shaw citado várias de suas favoritas em uma entrevista. Clássicos como Lobisomem, Metamorfose, Dr. Jekyll e Benjamim Button *recentemente adaptada a um ótimo filme* fizeram sucesso com a mesma fórmula básica: transformações corporais que tornavam seu portador infeliz, em uma busca frenética de controlar seu próprio corpo. Apesar do aparente clichê, achei a história bem criativa e original. A melhor parte são as descrições da paisagem, as metáforas e comparações usadas para tal fim. Ali Shaw está de parabéns! =D
e para meus queridos seguidores, fica ai a dica! ;D

Livros, livros!

Como faz tempo que não posto nada, resolvi abrir uma nova seção no meu blog, com dicas de livros. Tentarei postar pelo menos uma por mês, e já começo atrasada XD

Como estou começando por Fevereiro, postarei o livro referente a Janeiro esse mês, e o de Fevereiro também! *espero não me atrasar de novo u_u'*
Sobre a seção, postarei uma pequena resenha e minhas impressões sobre o livro em questão. ^^
Bom, vamos começar, sem mais delongas...

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